Bom dia Sunshine - Mãe que é mãe...
Bom dia!!!
Existe uma história que todos os meus amigos já ouviram e
não me canso de a contar. A história da tesoura. A minha mãe costumava ter uma
tesoura destinada única e exclusivamente para os seus cortes de costura, que
guardava religiosamente na gavetinha da máquina de costura, e na qual eu estava
proibida de tocar para os meus recortes diários. Mas como menina não obediente que
sempre fui, e visto andar sempre nos meus desvaneios criativos desde muito
cedo, pegava nessa sagrada tesoura para os meus recortes de papel. Claro que distraída
como também sempre fui, acabava sempre por deixar a tesoura por um dos cantos
da casa e quando chegava a hora do “Onde está a tesoura?!!”, eu nunca sabia
dela, e vinha então o “Vocês (sim porque depois a minha mãe tinha aquilo lá em
casa tipo tropa, paga o justo pelo pecador), tem 10 minutos para encontrar a
tesoura, senão todos apanham”. Era o terror, o pânico, a tragedia, todos de
mãos na cabeça já a choramingar a prever já a vergasta a estalar no rabo. O
mais engraçado (tirando a parte em que na maioria das vezes apanhávamos porque
não encontrávamos o raio da tesoura) era que haviam vezes que era a própria minha
mãe que a encantava no meio dos tecidos e recortes dela, e quando vinha o “Já
encontrei” e quando eu começava a resmungar por ela ter sido injusta, ainda
ouvia “tem razão, peça-me desculpa”. É de um humor único a minha mãe. Assim
como aconteceu uma altura em que peguei na mesma sagrada tesoura para recortar
cartolina, um protótipo de umas sandálias último grito que eu própria havia idealizado.
Estive eu duas ou três horas de volta do corta, recorta, cola e recola, mete
fivela, pega em tecidos da mãe (eu parecia que gostava de apanhar), volta a
recortar e colar e coser. E no final desmontei-me toda num trambolhão após ter
ouvido da minha mãe “Tu vais cair, mas se caíres ainda levas por cima”. E lá
vim eu de testa rachada na qual ouvi: “Eu não te avisei??? Será possível que vocês
tem sempre que ir de testa rachada quando há festa na paróquia?” É que era certinho
e direitinha, nunca falhava, um dos quatro tinha que abrir a cabeça em altura
de festarolas. Ou perder um dente de leite. Que era arrancado a força pela
minha mãe. Dizia ela “Isto não dói nada” e depois de nos apertar entre as
pernas para nos segurar quietos para poder arrancar o dente, vinha o berreiro.
Não doía nada dizia ela. Ai não doía. A ela não lhe doía de certeza. Sempre que
relembro estes episódios faz-me lembrar uma parte do filme “A minha mãe é uma
peça” – do Paulo Gustavo, actor que amo de coração, em que ele a interpretar
D.Herminia (a representação de toda a mãe do mundo) após avisar a filha varias vezes
para levantar da cama e ir tomar banho, pega num balde de agua suja que a
empregada estava a utilizar para passar o chão, chega no quarto e atira para a
filha “Pronto Marcelina, está de banho tomado, vamo bora” ahahahah Rio-me
sempre!! Recomendo vivamente, acho que mãe que é mãe se identificará nem que
seja apenas numa pequena parte, e filho que é filho numa das situações. Claro
que é uma caricatura muito exagerada do que é a minha, mas vejo em muitas
partes a minha mãe, quando ela dizia por exemplo “Porque não!” “Que interessa o
que todo mundo faz, tu não és todo o mundo” … Vejam!!! Vão adorar!!
Um bom dia cheio de sorrisos para vocês!!


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